Considerando a polêmica do post que publiquei no UoD sobre uma recente ação promocional, achei que valeria a pena falar um pouco mais sobre o assunto. Não especificamente sobre essa ação, mas sobre um modelo de ação promocional muito frequente ultimamente, que combina on+off e que, eventualmente, pode criar problemas.
Me sinto no direito de falar sobre o assunto não porque me julgue melhor do que os profissionais que realizaram a tal ação. Mas porque esse é o meu negócio e acho que tenho direito de opinar, além do fato de já termos realizado ao menos três ações semelhantes e uma delas foi um rotundo fracasso por motivos semelhantes.
Vale deixar claro que é ingenuidade imaginar que uma ação mal realizada não afete a marca, ou que este é um assunto que se restringe ao “mundinho” publicitario. Ora, caso você não tenha notado, cuidar da reputação das marcas é exatamente o ofício de nós publicitários.
Outra bobagem é achar que as vendas não serão afetadas, ou que um sujeito em Canoas nem ficou sabendo da ação. Ora, a ação – e ações com essas características – não são feitas para mexer no termômetro de vendas e sim para emprestar à marca uma aura de moderninade e simpatia, que, caso tenham sucesso, se espalhará naturalmente, de maneira a colaborar para a construção do DNA da marca.
Minha mãe, ou um garoto de seis anos não são o foco de ações como essa.
Em resumo, uma ação mal realizada pode até não impactar o share de mercado, mas nenhuhma marca, hoje em dia, pode se dar ao luxo de desprezar a opinião de seus consumidores. Mesmo porque, uma ação, bem ou mal realizada, se eterniza no YouTube, nos Blogs, no Twitter, etc.
E a mistura onoff, em Promo é explosiva.
Não pela incompetência de quem executa, mas pela própria natureza da combinação Promo+Online.
Alias, o problema, constantemente aparece muito mais no braço offline do que na parcela online.
E problemas em Promos offline são inerentes ao negócio. Sempre foram. Não é à toa que nosso mercado nunca conseguiu se auto-regulamentar. Não é por acaso que o governo chamou para seus orgãos economicos, a reponsabilidade de botar ordem na casa do mercado promocional.
Quando abrimos a Bullet, era normal concorrer com agências de um sujeito só. Uma idéia na cabeça, um fracasso no ponto-de-venda.
Ao longo dos 21 anos da Bullet, ganhamos uma infinidade de concorrências não pelo planejamento ou criação, mas pela nossa capacidade de entrega, o que demanda uma estrutura enorme de gerenciamento, de logística e administração.
E leva tempo e dinheiro para montar uma equipe de campo capaz de implementar ações nos mais inusitados pontos de contato com o consumidor.
Não por acaso que nosso Diretor de Operações está na agência há mais de 10 anos. Não é a toa que temos mais de 3.000 promotores treinados e contratados todos os meses.
Todos os departamentos da agência sabem que o tendão de aquiles do nosso produto é a execução. Produtores, coordenadores de campo, supervisores trabalham para executar ações que não sejam apenas “boas ideias” ou “inovadoras”. Em promoção, as vezes a ideia tem que ceder espaço para a executabilidade.
Pode parecer um pensamento retrógrado, mas acredite. É um fato de quem vive nesse mercado há quase 30 anos.
Pois bem, a combinação do online com Promo é maravilhosa.
Traz para a Promo uma cobertura nunca imaginada. Faz com que o consumidor que era apenas abordado, passe a ter nome, endereço, interesses. O potencial é infinito. E, sinceramente, tem muta gente capaz de fazer o braço online de uma Promo onoff.
O problema é que a ampla cobertura vem acompanhada do risco de não se poder calcular quanto do buzz online vai se converter em participação offline. E conhecer o volume de consumidores participando de uma ação offline é fundamental para planejar essa ação. Na combinação de on com off, o risco de sub/super dimensionar a estrutura de campo é enorme.
E para reduzir riscos, quanto mais experiente a equipe de produção off, melhor.
No online, também. Por isso a gente escolheu uma parceria com a Ginga, exatamente porque esse não é nosso core business.
No fim do dia, o que importa mesmo, numa ação desse tipo não é o resultado de vendas, e sim o residual positivo para a marca.
A gente não é pago pra arranhar nada.
Ótimo post Neto,
Concordo que qualquer tipo de ação mal executada pode, e vai, arranhar a marca de algum modo. Principalmente com as ferramentas de comunicação existentes no tempo de hoje. Ingênuo, ou cego, quem pensa o contrário.
Duda.
Vale lembrar que não só o público-alvo revira as notícias no mundo online para saber o que ocorreu com a ação de determinada marca, como os próprios clientes acabam monitorando tudo.
Esse tipo de problema causa um estrago grande lá no departamento de marketing, que, invariavelmente acaba marcando aquela famosa reunião para “lavar roupa”. Hoje em dia, entre os clientes, sequer existe a tolerância para pequenos enganos.
Boa Neto.
Tentei postar só o “Boa Neto” mas o sistema mandou avisar:
“Your comment was a bit too short. Please go back and try again”
Bom, acho que agora com esse adendo desnecessário e esse comentário inútil eu consigo publicar.
Abs
Danilo
Sou de Canoas e queria deixar claro que o mercado publicitario canoense… calma, brincadeirinha! rsrs
Muito bom o texto, mesmo para a minha pessoa que não trabalha com promo. É tão óbvio que a parte mais importante é a entrega.
“…que publiquei no UoD” parei aqui. nao sei do que voce esta falando ¬¬
ok, encontrei o site.
http://updateordie.com/blog/2010/05/31/fechou-o-tempo-pra-twix/
descobri isso hoje. morria e nao saiba. aqui em recife teve repercusao zero. obvio, aconteceu em SP ¬¬
resumindo: se de graca ate injecao na testa, pq com twix seria diferente? obvio que ia mta gnt.e uma das coisas q o povo em si mais odeia eh o tal VIP. so quem entrou la pegou. eu provavelmente teria ficado de fora…
Não vou nem pedir o segredo do sucesso de um departamento de operações/execução/produção/whatever porque sei que varia conforme a experiência no negócio.
Também concordo que ideia NENHUMA sobrevive sem alguém (ou “alguéns”) que saiba aterrisá-las no PDV.
E quanto ao caso do Twix, cá entre nós, será que a galera da Mars não acompanhou os testes? Mesmo com a retratação da Caju sobre o fail da máquina, ficou meio implícito que a ação foi total ousadia, sem um “rebolation” pra resolver a situação na hora do pau.
Bons ingredientes não garantem um bom prato.
Eu que sou um profissional da área sei que execução é fundamental.