Spoiler alert.
Reflexões sobre Lost.
Se você é um desses xiitas que não pode saber como é o final do filme, melhor nem continuar lendo.
Logo após assistir ao último episódio da série Lost, o sentimento foi de libertação.
Não preciso mais criar nenhuma teoria, não preciso mais discutir a teoria dos outros. Tá lá, tudo explicado, numa espécie de híbrido que levou em conta todas as principais linhas de suposição que apareceram durante esses seis anos.
Teve a previsão de que todos estariam mortos, tiveram os universos paralelos, teve a briga entre o bem e o mal. Alias, Lost deu várias crias, como Flash Forward e até Heroes. Ou seja, qualquer escola de adivinhação pode alegar ter razão no caldeirão do J.J.
Digo que quase tudo foi explicado, porque nem assistindo o especial de uma hora e vinte que resume série, consegui entender algumas coisas.
Devo dizer, inclusive, que quem não viu este mini-documentário, não está aparelhado para enteder a série por completo.
Mais de uma vez, neste último episódio, pude perceber que alguns atores também não sabiam exatamente o que estava acontecendo. Ou talvez estivessem preocupados com seu iminente desemprego.
Alias, me ocorre que, assistindo o especial de uma hora e vinte minutos, você poderia ter gastado seus últimos seis anos em alguma coisa mais útil. Assistindo House por exemplo.
Ainda pensando nisso e considerando que meu último post foi sobre House, me preocupa que: 1. só me resta escrever sobre essas séries feitas para limítrofes passarem seu tempo, transformando esse diário num ridiculo blog de resenhas de seriados, ou 2. minha vida anda tão desinteressante que não me resta mais nenhum outro assunto para escrever.
O fato é que devo ser muito estúpido, mas terminei sem saber como é que um urso polar foi parar numa ilha do Hawaii. Ou porque havia um logo do Dharma num tubarão da primeira temporada [P.S. obrigado aos singelos comentários e twits que esclareceram essa dúvida]. Também não entendi aquelas idas e vindas no tempo. Aquilo, pra dizer a verdade, é totalmente dispensável ao enredo, fora o fato de nos ter socado mais uma temporada goela abaixo.
Coisa bem de novela brasileira.
Tenho quase certeza que o período em que os personagens passaram fora da ilha, ao longo das diversas temporadas, tem a ver muito mais com estratégias de product placement do que com a história. Afinal, como é que você vai enfiar um telefone Cisco na maldita ilha?
Outra coisa que não me parece muito clara é a relação entre o eletromagnetismo e o Mal representado pela fumaça negra [que assume várias personalidades, sempre de gente que morreu, a saber: o pai do Jack, o irmão de Jacob e John Lock].
A não ser que a fumaça negra seja formanda por limalha de ferro.
Alias, naquela festa na igreja ecumênica, na última cena (notaram os vitrais politicamente corretos com referências às principais religiões?), acho que vi o Daniel Filho, o Murilo Benício e o José Wilker.
Vamos fazer assim: ao invés do roteiro fragmentado, vou dar minha versão da história e vocês, nos comments, vão corrigindo, ok?
Era uma vez uma ilha que está numa posição qualquer do mundo que a coloca como uma espécie de portal entre o bem aqui de fora, e o mal de là de dentro, uma referência meio óbvia à céu e inferno e bla, bla, bla.
Este portal/ilha sempre teve, desde o início dos tempos, um guardião, que herdava de seu antecessor, a funçāo de manter o Mal contido no “coração da ilha”.
Essa característica da ilha de ser uma fina linha entre o bem e o mal, lhe confere uma capacidade eletromagnética fora do comum.
Lá pelo século XV, a ilha era guardada por uma mulher, que roubou dois irmãos recém nascidos de outra mulher que aparaceu na ilha, naufraga. Esses irmãos, representando novamente o contraste entre o bem e o mal, era um loiro e um moreno, cabendo obviamente ao loiro, a herança de guardar a ilha. O outro irmão fica com tanta raiva que mata a própria mãe.
Num confronto com Jacob, o irmão loiro, o irmão moreno acaba morrendo e sendo atirado no coração da ilha, fato que, por alguma razão inexplicável, liberta a fumaça negra. A tal fumaça é o tal Mal, que não pode ser destruído e que lutará ao longo dos tempos para escapar da ilha, matando de alguma forma o guardião e saindo da ilha, numa metafora de que o Mal finalmente se espalharia pelo mundo.
Anota aí: a fumaça não pode matar o guardiāo da ilha, nem por ninguém que ele tenha tocado.
E assim Jacob foi o guardião da ilha, até que um grupo de cientistas malignos, a Dharma Initiative chegou à ilha e começou a fazer testes com o tal eletromagnetismo, sem saber que estava mexendo com fogo. Um dos funcionários da Dharna, Charles Whitmore, no futuro voltaria para ilha com intenções sabe-se lá de que.
Um certo dia, um tal de Desmond, imune ao eletromagnetismo, faz uma burrada e derruba um avião que curiosamente estava cheio de gente que Jacob tocou. Eram os candidatos a substitui-lo.
Aí começa a confusão. Os caras do avião se encontram com sobreviventes da Dharma que ainda estavam na ilha desde os anos setenta. Seguem-se duas temporadas com um grupo brigando com o outro sem que nada de muito importante seja explicado, para desespero das comunidades do orkut.
Os personagens viajam para o passado, se misturam com a Dharma até que, explodindo uma bomba, são capazes de mudar o futuro, fazendo com que o acidente de avião não tenha acontecido.
E a história se divide em duas, com os mesmos personagens. De um lado continuam aprontando altas confusões na ilha enquanto seus pares [que mais tarde descobiremos que estão mortos] levam suas vidas normais. Na verdade apenas os seis que foram resgatados saem da ilha. Ou morrem, sei lá. Os restantes ficam na ilha. Os que foram, devem voltar, para terminarem com o escrutíneo organizado por Jacob.
Em resumo, na sexta e última temporada, de um lado estão os caras na ilha e de outro, eles no mundo real, como se o acidente de avião não tivesse acontecido.
No último episódio, na verdade, você descobre que todo mundo morreu. Todo mundo, menos o Ben, que herdou do Hurley, que por sua vez herdou do Jack, que por sua vez herdou do Jacob, o cargo de zelador da ilha.
Ah! Vale lembrar que Jack matou a fumaça preta quando ela assumiu as feições de John Lock.
Mas se ele matou a fumaça preta, para que precisaram continuar com um zelador na ilha é um mistério.
Em resumo, a série acabou porque todo mundo morreu.
Não posso esperar pra ver a adaptação da Globo. Vai chamar Os Perdidos na Ilha do Mal. O cenário vai ser a ilha do Luciano Huck em Angra. A Xuxa vai ser a Kate, o Renato Aragão vai ser o Jack e o Lima Duarte vai ser o John Lock.