Aqui no NCPM eu não costumo dar links. Afinal, como diz a apresentação, isso não é um blog, é um diário.
Pois bem.
O assunto do dia, é o clip da M.I.A.
Googa aí que você acha.
É polêmico, foi censurado no YouTube e bla bla bla.
Um monte de gente já falou sobre o assunto, mas eu queria registrar aqui, para minha quase nula audiência, o que me ocorreu depois de assistir ao clipe.
Lá atrás, quando o cinema, a fotografia e qualquer outro registro pictográfico foram criados, não se queria fazer política. Queriam registrar o momento. Imortalizar-se através da imagem.
Com o tempo, apareceram os documentáristas, os foto-jornalistas que subiram a barra do objetivo inicial para dar a estas mídias um caráter mais sério (?), mais importante (?) ou ao menos transformar o que era só registro, em alerta, em manifesto.
Vídeo clipes passaram por um processo parecido.
Lá no início dos anos 80 (tá, tá, eu sei que foi antes), os vídeo clipes apareceram para ilustrar o que não tinha imagem: o som das bandas como artifício pra vender mais CDs (vinil?). Ao mesmo tempo que entregavam pra MTV alguma coisa levinha, divertida pra por no ar atraindo neguinho pra televisão, ou seja, criando mais um canal de venda.
Clips de protesto, não são coisa nova.
Com o tempo, da mesma forma que aconteceu com o cinema e a fotografia, nego entendeu que os clips poderiam ser muito mais do que música ilustrada. Coincidência ou não, a cultura Hip Hop se desenvolveu fazendo lá seu protesto contra os preconceitos que nego (no pun intended) sofria.
E o vídeo clipe se transformou, também, em expressão política.
Mas eu resolvi escrever tudo isso porque, me parece, que o clip da M.I.A. tem uma diferença fundamental em relação aos clipes políticos.
Nele, a música não tem nenhuma importância.
Mas é um clip.
Nele, o diretor Romain Gavras, filho do Costa-Gavras, (aquele, do Missing e de Amen, o que já diz quase tudo) é muito mais importante do que a tal da M.I.A.
Mas é um clip.
Nele, a mensagem – um tanto sensacionalista, é verdade, mas vamos dar uma chance ao menino – é muito mais importante que a moça lá com seus acordes pseudo-porrada.
Mas é um clip.
Nele, a metáfora anti-racista, anti-fascista, anti-autoritarismo, apesar de quase primária, é muito mais importante que a audio-legenda “born free” que a moça não para de repetir.
Chega a dar a impressão que o Romain Gravas queria mesmo era fazer o curta e disse pra M.I.A.: “põe um sonzinho qualquer aí.”
Curioso: justo quando as gravadoras e a MTV agonizam, é a política que vem novamente colocar a música no radar.
É agressivo, é bom de ver, dramático, bem dirigido.
Mas é um clip.
nao sabia desse clip.
gosto dessas coisas que mostram o que nao querem que vejamos