Vou dizer o que eu acho sobre o infeliz episódio protagonizado pelo Boris Casoy.
Se você não estava no planeta terra recentemente, talvez não saiba que em seu jornal, na Bandeirantes, após uma externa com a mensagem de Natal de dois lixeiros, o áudio ficou aberto sobre a vinheta de intervalo e os espectadores puderam ouvir Boris dizendo:
- “Que merda, dois lixeiros desejando felicidades, do alto das suas vassouras…dois lixeiros, o mais baixo da escala de trabalho.”
Claro que a primeira reação de qualquer um, por menos hipócrita que seja, é de no mínimo ficar chocado que alguém como um âncora de telejornal diga uma imbecilidade dessas.
A primeira coisa que me ocorreu, é que um jornalista experiente como Boris Casoy, deveria saber dos riscos de comentar sua opinião pessoal enquanto está apresentando o jornal. A chance do audio vazar está longe de ser igual a zero.
Mas essa é apenas uma questão técnica.
O que me surpreende mesmo, é que muita gente ficou chocada com o que foi dito, mesmo sabendo de quem veio.
Afinal, os bons tempos de Boris em sua carreira já passaram faz algum tempo, mais exatamente desde que deixou a Folha de São Paulo.
De lá, passou por SBT e por Record antes de bater na Bandeirantes. Na Record, após sair, ficou um bom tempo acusando a emissora de te-lo demitido por pressão do governo Lula.
O comentário, apesar de nefasto pois o fato nunca se comprovou, é absolutamente compatível com a postura reacionária e de extrema direita do jornalista. Na década de 60, Boris foi acusado de ter ligações com o Comando de Caça aos Comunistas, o temido CCC do governo militar e foi ainda assessor de imprensa do Ministério da Agricultura do governo Médici.
Foi ele, também, quem fez a histórica [e traiçoeira] pergunta a Fernando Henrique Cardoso, no debate com Jânio Quadros [que acabou sendo decisiva para a derrota de FHC para a prefeitura de São Paulo]:
- “O senhor acredita em Deus?”
Enfim, surpreende que um jornalista tão experiente cometa um equivoco tão ingênuo. Mas não surpreende que este mesmo jornalista tenha uma opinião tão preconceituosa.
Uma ver-go-nha.
kkkkkkkkkkkkk
Adorei este episodio. É assim, nessas horas, que a gente conhece as pessoas.
Bom dia, Neto.
Você traduziu bem o que penso também.
O professor de História da MPB no IA – Unicamp, Hilton “Gogô” Valente, participante ativo do movimento estudantil na déc de 60, exilado pela ditadura, afirma já ter ficado cara a cara com o Mr. Boris em um embate UNE-DOPS.
Segundo Gogô, aquele probleminha na perna que faz o Sr. Casoy mancar vem de uma dessas batalhas.
Boris, afirma Gogô, contribuiu de corpo presente para o fim sangrento dado pelos milicos à estreia da Ópera do Malandro, de Chico Buarque, em 60 e alguma coisa.
Esse é um dos caras que “formam opiniões” na nossa maravilhosa TV aberta…
Um abraço.
Isso é uma Vergonha…. que não tem tamanho , pois logo uma pessoa que mostrava tanta credibilidade , tanta seriedade , falar uma Bobagem deste nivel , ele tem que rever os seus conceitos , e ser mais humano , e menos mesquinho !!
É nessas horas, quando uma merda técnica dessas acontece, que a pessoa mostra a sua verdadeira face. Boris Casoy nunca foi santo e muito menos humilde, não era de se esperar, vindo dele, um outro comentário sobre as felicitações de um bom ano dado pelos garis.
E a desculpa que ele deu, heim? Parecia estar anunciando um aumento de inflação em 0,002% ao ano.
#TENSO foi ver as pessoas que defendiam ele.
Pá rá rá, pô rô rô, concordo que foi inadequado e tal. Mas gostaria de fazer um contraponto histórico, que passa um pouco pela visão de liberdade e democracia. Assim como existem pessoas de esquerda existem as de direita, isso é do jogo e do confronto democrático. O que não podemos tolerar é terrorismo, baderna, vagabundagem, nem de esquerda e nem de direita. E naquele tempo havia bastante grupelho terrorista de esquerda. Quanto à pergunta feita a FHC, acho legítima. No Brasil é comum preservar o candidato. Acho que deveria ser o contrário, somente pergunta saia-justa.
Abraço.