Ao que parece, o fato de ter expressado minha opinião contrária à realização das Olimpíadas no Rio em um comentário de um post, foi infeliz, já que agora é hora de ufanismo.
Afinal, onde já se viu negar o fato de que empregos e investimentos virão e que, como nunca houve o caso de um país se dar mal após uma Olimpíada, devemos cegamente acreditar que o futuro é promissor.
Pois bem, vou usar este espaço para expor minha opinião à respeito do assunto, mesmo não tendo muita razão para faze-lo já que agora é fato consumado.
Orgulho de ser brasileiro, eu tenho. Nunca pensei em sair daqui, tenho uma empresa com cerca de 100 funcionários, pago meus impostos e realmente acredito que esse país não é o país do futuro, mas tem futuro, na medida que o levarmos a sério.
Isso não me impede de ter ceticismo com relação à capacidade gerencial atual de nossos políticos e principalmente ao fato de que historicamente nosso bom senso sempre foi facilmente embriagado por uma boa dose de plumas e samba. E disso, nossos políticos entendem.
Alias, os desfiles de Escola de Samba, são boa metáfora para o que vem por aí. Pense em tudo que já foi dito sobre eles pelos sociólogos e antropólogos sociais. Pense em como é lindo o momento que nosso povo brilha e demonstra para o mundo todo nosso talento artístico.
Agora lembre como tudo se acaba na quarta-feira. As fantasias, as cores, o brilho, os carros alegóricos, não duram mais que alguns dias e, no resto do ano o povo volta para suas vidas de sempre, no Rio das favelas e não para Rio do vídeo.
Há anos não somos competentes para dar uma vida melhor para os artistas principais deste show. Há décadas aceitamos o fato de que eles, os que fazem esse espetáculo, vivem a vida toda para esses quatro dias e que são felizes como estão, em sua miséria poética.
Qual vai ser a diferença desta festa com as Olimpíadas? O que está planejado para reverter a situação de cidade sitiada que o Rio se encontra?
Não tenho nada contra as maravilhas da cidade e é promissor ver que muita gente acredita que essa festa vai mesmo tirar o Rio da decadência.
Para esses, lembro que o Rio não está decadente por falta de festa. Empresas fugiram de lá por falta de estrutura. Cariocas emigraram por falta de oportunidade. E nem vou falar da violência e do apartheid social.
Acho que o que nos falta não é Copa nem Olímpiada. O que nos falta, é simplicidade e eficiência na solução de problemas muito mais graves do que a construção de um complexo Olímpico.
Que lindo seria se a Copa e a Olimpíada viessem num momento que coroasse o trabalho de desenvolvimento, de soluções para a educação (alo? até o Enem foi fraudado), para o saneamento básico, para a distribuição mais justa de renda. Trabalho imenso que temos pela frente e que não faremos, afinal, agora é hora de nos dedicarmos a enganar o mundo. Agora é hora de fingir mais uma vez, como no vídeo, que nossas favelas não existem. É hora de chamar o exército para de novo colocar tanques na rua para garantir que a violência não atinja os turistas, é hora de fingir – de novo, como no Pam superfaturado – que somos um país de primeiro mundo.
E estou cansado de sermos os melhores do mundo nessa mentira.
Não é o dinheiro que entra que me preocupa. O problema é o dinheiro que sai. E por onde sai.
A comparação com a China chega a ser quase infantil. Por qualquer indicador que se observe, a China provou sua competência em administrar recursos externos e se transformou na potência global que é hoje.
Nossa imaturidade para lidar e gerenciar o oceano de investimentos que virão com o pré-sal, com a Copa de 2014 e agora com a Olimpíada de 2016 é evidente. E não sou só eu que digo isso. Jornais ingleses e americanos vêm destacando nos últimos meses o fato de que não seremos (como nunca fomos) capazes de gerenciar o volume dos investimentos, com nossos coronéis ainda no poder.
Não sou pessimista, nem torço para dar errado. Apenas não tenho nenhuma indicação de que vamos ser magicamente capazes de conter a fome por dinheiro, as malas pretas e as cuecas de nossos políticos. Não vejo nenhuma indicação que algo mudou na corrupção que nos cerca há gerações. E lembre-se que na China a corrupção se sustenta pela ditadura e aqui é pela nossa incompetência em reagir.
É certo que empregos virão, infra-estrutura será criada para esportes que nunca praticamos (quem precisa, neste momento, de quadras de badminton?). Ao invés de citar exemplos dos países onde a Olimpíada foi um sucesso, acho que deveríamos estar atentos aos sinais de corrupção que já estão aí. Por exemplo o fato de termos sido o único país candidato que não apresentou os valores dos salários dos cartolas do COB.
Ou o fato de que somos o país de melhor futebol do mundo, mas que não conseguimos administrar essa riqueza porque até hoje não fomos capazes de sanear o dinheiro que escorre pelo ralo da corrupção dos Ricardos e Euricos.
Ou nossas pobres jogadores de voley, com seus salários cortados. Falta transparência em praticamente todas as Federações, hipismo, judô, natação, basquete, o próprio COB já esteve sob suspeita dezenas de vezes com acusações ao seu presidente.
Isso sem falar nas empreiteiras, que não preciso dizer quantos males já causaram para o seu e o meu bolso. Sabemos todos que somos governados por canalhas. Sabemos todos que o presidente do Senado, o terceiro na linha de sucessão foi inocentado depois de emitir centenas de decisões “secretas”. Quantas mais vão ser engavetadas até 2016?
Não me digam que a corrupção é dinheiro pequeno diante do que virá. Não subestime a ganância de nossos nobres representantes. E nem é essa a conta que faço. Não penso só no que vai ser roubado com corrupção e superfaturamento. Me preocupa mais o que vai ser investido para se acabar na quarta feira.
Não me peçam para ter esperança, nem digam que a “solução está em nossas mãos”. Não está. A solução está nos milhões de iletrados, que votam errado e nos impõem líderes incompetentes.
Espero, honestamente, estar equivocado. Espero mesmo que a Olimpíada nos lance para o futuro utópico dos mais otimistas. Mas por enquanto, fico com o comentário do twitter que mostra bem o mindset tupiniquim: com Copa em 2014 e Olímpiada em 2016, bora enforcar 2015.
Só posso bater palmas para seu texto. Queria eu ter tido inspiração para escrever tudo que voce falou aqui no meu blog. Mas compartilhamos a mesma idéia. E agora, com a escolha feita, é torcer para algo mudar, mesmo sem nenhuma mudança dos homens que estão la e como este dinheiro será utilizado. Abraços!
Acredito que é necessário entender que o Brasil não é esse lixo todo apontado por muitos. É claro que temos muitos problemas, mas também temos nosso devido respeito no mundo.
Todos os problemas apontados são devidamente conhecidos. É de conhecimento mundial que somos um país corrupto, que temos problemas com segurança, educação, saúde e até com o esporte. E se deram as olimpiadas de 2016, foi também levando em consideração essa realidade. Repito, nossos problemas não estão às escondidas.
Fato é que muitos precisam entender, ainda, que o país está em progresso, principalmente econômico. Nossa situação de descaso do Estado já foi bem maior. A imoralidade que existe no Poder Público já foi absurda.
Garanto que essas próximas eleições serão muito mais levadas a sério do que as outras. O País está em transformação… o povo está mais atento (obrigado, internet!). Teremos uma eleição completamente diferente das demais.
Isso não é viver no mundo da lua ou ser mega-otimista. É a realidade. Compara a situação do brasil Hoje com 10 anos atrás… As coisas podem não estar resolvidas, mas estão melhorando (mesmo que de maneira lenta). Grande parte dos problemas de hoje são cosias oriundas do passado. Se temos favelas e criminalidade é porque os governos anteriores não fizeram NADA pra evitar o início da situação.
Conseguir sediar uma olimpíada não é coisa fácil, não é simples. É coisa séria, que envolve interesses gigantescos, de patrocínios volumosos. Antes de tudo, é uma tradição mundial de muitos anos. Se deram essa responsabilidade para o Brasil, foi acreditando que é possível SIM realizar uma olimpíada aqui. Caso contrário Madri seria a vencedora, pois inclusive já tem 80% das obras terminadas.
Enfim, seu post dá a entender que o Brasil está mergulhado num mar de problemas e numa linha de queda, o que não é verdade. Você ainda dá a entender que quem vai cuidar de todo o dinheiro, investimento, gasto, etc. serão os “atuais” políticos. Ora, são 7 anos, amigo. Duas eleições até lá, duas “renovações” no poder. Sarney provavelmente vai estar no céu (ok, brincandeira) ou caducando. A Possibilidade que as coisas estejam melhores são grandes. É claro que não vão estar perfeitas, mas isso nenhum país é (até Londres já extourou o previsto pra gastar nas olimíadas agora de 2012).
Obrigado.
O que vai ter de mulher querendo casar com gringo pra branquear a familia nao vai ser brincadeira. Vamos lançar o concurso: “Aguarre seu gringo”.
Agora o congresso vai ficar paradinho…. Pao e circo pro povao é o que importa.
Neto, muito bom. Concordo 100%. Para aqueles que ainda acham Rio 2016 uma linda história, me digam qual foi o legado que o Pan deixou ao Rio? Nada. Algo melhorou depois disso na cidade? Ao fazer essa pergunta a um amigo carioca que estava entusiasmadíssimo com o resultado da eleição, ele murchou e se deu conta. Caiu a ficha. Infelizmente, a tristeza tomou conta.
Caro Bruno Henrique, fico feliz em ver pessoas que ainda tenham uma visão tão romântica acerca das eleições e do processo sucessório. Mas a verdade infelizmente não coincide com a sua torcida. Entenda que muitos dos que “controlam” tudo isso estão nos bastidores e são quase perenes. Além disso, Srs Ricardos, Carlos Albertos e respectivos staffs não concorrem nas eleições que estão por vir. Continuarão por aí por um bom tempo, independente de quem esteja nos “representando”no poder.
Correção do comentário anterior: “Srs. Ricardos e Carlos Arthurs”
Sem dúvida, essas Olimpiadas chegam em um péssimo momento, onde serão coroadas a corrupção e a decadência administrativa do Rio e do Brasil. É como uma criança que faz tudo de errado, mas mimada pelos seus pais ainda ganha doces… E a Copa então? Tudo parece uma grande zona, quando a caba a festa, não tem ninguém disposto a trabalhar! Esse é o país ainda dos coronéis.
[...] é uma grande oportunidade e temos que saber usar (e fiscalizar). Também concordo com a parte do texto do Neto que diz que achar que Copa e Olimpíadas vão, magicamente, resolver tudo é não só inocência [...]
O discurso é repleto de equívocos e opiniões formadas pela mídia entreguista nativa. Adoro ler os comentários que tratam a atual situação do país como se ela fosse inédita. A demagogia é hilária! Cara, a corrupção, a incapacidade gerencial , a miséria eram muito piores antes. A grande diferença é que a bela classe média não enxergava. Enquanto os morros estavam sendo formados no Rio, a elite carioca estava tomando chope e resmungando sem tomar atitude alguma. Este discurso entreguista de que nada vai dar certo só reflete o egoísmo de uma classe que no fundo não quer mexer a bunda para melhorar o país. É muito mais fácil criticar aos ventos e continuar colocando no poder Cesar Maias, Garotinhos, Malufs etc.
Discurso entreguista, classe entreguista. Mas nem vou entrar nesse mérito, que foi muito bem abordado pelo Everton.
O meu ponto central dessa discussão é bem básica: antes termos as Olimpíadas aqui do que me Chicago, Madri ou Tóquio. É a esperança vs. o nada. Eu prefiro a esperança. Os entreguistas negativistas obviamente prefeririam o nada.
Além disso, e se olharmos ao nosso redor? Muitas agências do mercado conquistam contas de clientes que talvez não estivessem preparadas para atender, mas a partir daí montam a estrutura necessário e fazem o trabalho.
Às vezes dá certo, às vezes não. Mas uma coisa é certa: essa impulsão extra sempre traz evolução.
Não seremos um país perfeito em 2017. Porém seremos um país melhor. Principalmente se nós, formadores de opinião e detentores do poder econômico, utilizarmos nossa capacidade para o bem comum.
Se em nosso trabalho conseguimos fazer milhões de iletrados consumirem nossas marcas, por que não podemos fazer esses mesmos milhões de iletrados votarem com consciência?
Sugiro que você transforme sua crítica em ação, e utilize as 100 pensantes cabeças da Bullet para criar uma ação ou movimento social que efetivamente contribua para as mudanças que queremos ver.
É só uma sugestão. Se quiser, estou disposto a ajudar.
Seu texto está perfeito do ponto de vista racional. Lembre-se apenas de que muita injustiça já foi cometida em nome da razão.
Abraços,
Seu compatriota otimista.
Eu não sou entreguista. Muito pelo contrário.
Se fosse, nem me daria ao trabalho de expor minha opinião.
Só acho que os bilhões que serão gastos nos próximos anos seriam melhor aproveitados em projetos que atacassem nossos problemas reais ao invés de criar a ilusão de que estamos fazendo alguma coisa.
Quanto à Bullet, estou absolutamente confortável. Damos nossa contribuição de maneira objetiva e prática.
Não acredito em “movimento social” criado em laboratório.
Enfim, torço pelos otimistas.
A questão que me assola é: se não houvesse olimpíada, esses bilhões exisitiriam de alguma forma ou iriam – como sempre – para projetos inócuos?
Concordo Neto.
Me assusta um pouco essa onda ufanista também. E mais ainda, a patrulha fanática de que levanta questões agora é: entreguista, negativista ou Whatever.
É óbvio que o Rio não tem condiçoes e não deve receber um Olímpiada e o Brasil não tem capacidade nem transparência para gerir tal grana que só vai favorecer meia dúzia. É simples isso. E se foi escolhida, está errado. E os brasileiros sabem disso.É só abrir o jornal todos os dias.
Agora o que mais me entristece é ver o povo comemorando a construçao de praias privativas para atletas e arquibancadas para tiro ao prato e não reclamar por mais hospitais e escolas.
Isso sim é triste. Anos de má formação escolar e ignorância construiram um povo que não sabe nem perceber, imagiana escolher, prioridades. E não falo só de miseráveis e pobres não. Falo da classe média, zona sul. Falo de Todos. E falo por um motivo: por que tudo isso, todo esse oba oba irracional e essa cegueira voluntária volta. Volta contra todos. Só aumenta o abismo social, a violência e o estado de sítio das nossas cidades.
Agora, é óbvio que o país melhorou, pois era quase impossível piorar do ponto que estávamos e com tanta riqueza gerada por aqui.
E este é o ponto, as questões nunca são absolutas e sim relativas, e é nessa falácia em que tudo se perde. Uma Olímpiada pode ser ótima mas não para uma cidade onde morrem mais pessoas por ano do que em uma guerra civil e que não tem saúde nem saneamento para a população.
E Otimismo, se constrói com a razão e a real percepção de que estamos num rumo certo e que não seremos roubadaos e tungados como sempre fomos. E não simplesmente, esperar o melhor por que agora já é fato consumado.
Mas este é exatamente o ponto deste post. Não importa se teremos 100 reais ou 100 bilhões. A questão é que historicamente não temos demonstrado ser capazes de utilizar bem nossos recursos. E a Copa e a Olimpíada vão só ser uma cortina de fumaça, criando a ilusão de que alguma coisa está sendo feita.
De novo, não sou entreguista nem derrotista. Só acho que receitar uma festa para um paciente com cancer pode ser bom para a auto estima, mas não cura a doença.
E desde quando o propósito de uma Olimpíada é resolver os problemas da cidade em que é sediada? Isso que eu não entendo. Geral gongou o Rio, falou que Olimpíadas não resolveria os graves problemas da cidade maravilhosa e eu me pergunto se a noção de Olimpíadas está clara para essas pessoas. Claro que haverá investimento, melhoria e etc., mas Olimpíadas não é evento beneficente não. Acho inocência as pessoas acharem que um evento desses possa resolver os problemas _qualquer problema_ de uma cidade _qualquer cidade_.
E tampouco acho que uma coisa anule a outra. Que porque uma cidade tem problemas (qual não tem, e graves?), ela não possa concorrer ou ganhar. Todas as das cidades que concorriam têm pontos a ser melhorados, pode ter certeza, mas nem por isso os seus líderes se julgavam menos dignos de sediar as Olimpíadas. Há muito mais cidades pobres do que ricas no planeta. Num mundo tão grande e vasto como o nosso, acho digno sim que uma cidade “pobre” sedie os jogos e abra caminho para tantas outras.
Da minha parte, sei lá. Fico feliz. Não sou atleta, não acompanho as Olimpíadas e nunca votei no Lula, mas me alegra que o Brasil tenha tamanha projeção. Call me naive [I probably am], mas super acho que sairemos dessa melhor do que entramos.
Um beijo, Neto.
Neto,
concordo em genero, numero e grau com o seu texto. Tambem amo o Brasil, e tambem sou pessimista com relaçao aos nossos governantes.
Entretanto, um ponto ainda me causa duvida. é justo culpar milhoes de pessoas que vivem na linha da pobreza pelo seu voto errado, pela falta de ativismo, interesse e ceticismo politico? é muito facil colocar dessa forma, mas estamos compando com o que? europa, estados unidos? A primeira universidade da europa foi fundada em 1088 (bologna); nao da pra comparar o nivel de educaçao, de conscientizaçao da importancia da politica e do voto.
Uma comparaçao mais pertinente seria mesmo com a China, tambem muito corrupta, mas muito eficiente em gerenciar recursos. O pais pulsa economicamente, e a populaçao aceita a corrupçao e a ditadura. Outro lado da mesma moeda.
Enfim, apesar disso ainda acredito que é possivel mudar, mas acredito muito mais na força da sociedade civil do que numa mudança movida pelo governo.
Abç
Natalia
É impressionante a quantidade de gente que não entende o que está escrito.
Ou é impressionante como eu escrevo mal.
Meu post não tem nada a ver com o COI, ou com o sucesso das Olimpíadas no Rio. Para os organizadores a Olimpíada será um sucesso, como também será para os que vão conseguir empregos graças à ela, aos turistas, aos esportistas.
Não é sobre isso que escrevi.
Escrevi sobre o equivoco que a Olímpiada gera na determinação de nossas prioridades e como vai cristalizar ainda mais a roubalheira que estamos metidos.
Escrevi que – como no Carnaval – é só circo. Pode trazer um pouco mais de dinheiro pro Rio, pode alegrar a vida de uma minoria, por algum tempo, mas é só.
Veja o Pam e pronto. Veio, passou e acabou.
Escrevi que não existe nenhum vínculo entre Olimpíada e a melhoria do país como um todo, o avanço do Brasil como potência, o fortalecimento da economia, da saúde e da educação (nossos reais problemas).
E este vínculo está sendo amplamente divulgado pelos partidários do Rio 2016.
Este post é sobre realidade versus fantasia. Sobre pragmatismo versus ilusão. Sobre prioridades versus falácias.
Quero polemizar com Neto não. Fazemos isso pelo msn quase diariamente. Tem um Brasil melhor vindo aí. Tenho dois filhos pequenos. Quando eles tiverem os 42 que tenho hoje, vão viver num Brasil melhor que o meu. Porque esses meninos vao viver num Brasil inserido na geopolitica, na geoeconomia, no geocinema global. Estes meninos nao vao viver o Brasil-da-bunda. O Brasil-do-Gerson. Esses meninos vao viver no Brasil do Fernando Meirelles, do Henrique Meirelles, do Lula sim senhor, que os livros de historia ainda colocarao ao lado dos melhores que tivemos. Eu nao tive esse sorte. Quando tinha seis anos, perto da rua onde moarava no Paraíso, os jornalistas morriam pendurados em gravatas. Tem um Brasil melhor vindo por aí. Porque tem o mundo olhando pra cá com um pouco mais de interesse, com muito mais respeito. A Copa e a Olimpiada nao existem para resolver as mazelas de um povo. A China fez talvez os melhores Jogos de todos os tempos. E estive na China um pouco antes e nao conseguia abrir um raio dum site de propaganda no Brasil porque alguem lá no Exercito Vermelho estava de olho no meu IP adress. Até hoje os chineses não podem usar a web livremente. A Copa e a Olimpiada no Brasil são um sinal sim de que vem um País melhor por aí. Um país realmente inserido na agenda mundial. No comercio mundial, na inteligentsia mundial. A prosperidade economicam, a prosperidade politica, a prosperidade intelectual que estamos vivendo escapou das nossas fronteiras. Hoje, o Brasil desfruta de prosperidade institucional. E isso vai produzir uma referência diferente dos brasileiros com a idade dos meus filhos. Que vao crescer num país em que um ex-torneiro mecanico, por exemplo,
pode suceder um grande intelectual, manter a rota estavel economica, dimunuir verdadeiramente o numero de miseraveis, e, em seu ato final, desbancar o mais importante politico do mundo usando apenas de politica. Este comment nao é um manifesto em relação a este ou aquele flanco partidário, até porque este é um país em que até os partidos são apartidários. Meu comment é apenas para lançar uma visao verdadeiramente otimista. Haverá um país melhor em 30 anos. E daqui 30 anos, 40 anos, 50 anos, também vamos ter a sorte de ter brasileiros melhores, que irao suceder esta pessima geração politica que nos representa (sic) nos dias de hoje. E aí sim, baseados num país verdadeiramente melhor, verdadeiramente uma das grandes potencias mundiais, talvez vivamos no país que gostariamos de viver hoje.
Chester
Também não quero polemizar.
Tenho 44 anos.
E com 8 anos, jogava bola no terreno bem ao lado da Polícia Federal da rua Maranhão, onde o Lula engambelou dois federais para levá-lo ver sua mãe no hospital, na fase mais dura da ditadura.
Ao contrário do seu coment, o meu é partidário sim.
Fui PT a vida toda.
Votei no Lula quando pegava mal, quando pegava bem e quando já pegava mal de novo.
Mas hoje estou certo de duas coisas:
A primeira é que Lula tem um imenso talento para seduzir seja os esfomeados do Nordeste, seja o Barak Obama. Lula tem imenso talento para liderar. Mas pouco ou nenhum talento para governar.
E sim, são coisas diferentes. Lula lidera ativamente mas governa por omissão.
A segunda é que o PT e o Lula se embriagaram de poder. E com isso traíram seus próprios ideais. Foram coniventes com a criação de um Estado sem ética, sem moral. A Brasília de hoje é uma vergonha histórica, que terá o mesmo lugar nos livros que Lula e FHC terão.
Concordo, sim, que a história reservará um lugar de honra para Lula, não tenho dúvida. E convenhamos, um torneiro mecânico virar presidente, merece mesmo lugar na história.
Mas a história nem sempre conta verdades inteiras.
E eu sei que a verdade inteira é que a prosperidade durante o governo Lula deve-se muito pouco aos seus méritos e muito mais a essa geração de brasileiros, a nossa, a anterior e a posterior a nossa, que cansou de esperar e decidiu arregaçar as mangas e correr atrás de um Brasil melhor, que não precisa de Brasília, nem de dinheiro do governo para crescer.
Somos, Chester, o Brasil que deu certo e exatamente por isso acho que esperar que a Olimpíada nos traga prosperidade é um retrocesso no jeito que descobrimos ser, estabelecendo nossas próprias prioridades e correndo atrás de realizá-las.
Um Brasil que contaria boa parte do que Darcy Ribeiro imaginou que seríamos, pena que ele não viveu para ver.
As Olimpíadas e a Copa vão fazer o mesmo que o Pré Sal fez com o Biocombustível.
Vão desviar o foco de onde deveríamos realmente investir.
Vão confundir nossas prioridades.
O Fantástico de hoje mostrou bem. Um bloco para a Olímpiada, um bloco para os 100 equipamentos de radioterapia que precisamos. Um bloco para a Olimpíada, outro para a fraude no Enen.
Mas é leite derramado, admito.
Fico feliz em saber, pelo menos, que este país que eu acredito, esse que ressurgiu dos escândalos de Collor e Lula, já criou ONGs no Rio para monitorar os investimentos que virão.
Esse país que eu acredito conseguiu nos livrar de fantasmas como a ditadura e a inflação.
Mas nem tudo está resolvido e, infelizmente, não vai ser com Copa e Olimpíadas que vamos resolver.
Sou brasileiro mas não sou idealista.
Nem pessimista.
Não tenho dúvida que em 30, 40, 50 anos teremos um Brasil melhor.
Não tenho dúvida que em 7, nas Olimpíadas, já teremos melhorado.
Sinceramente acredito num país melhor do que o que cresci para minhas filhas.
Mas não vai ser um país melhor por causa do Lula, dos políticos, das Olimpíadas ou do Carnaval.
Vai ser melhor por que temos cada vez mais brasileiros despertos.
E cada escândalo, cada propina, cada mala de dinheiro, não me desanima não. Cada decepção faz da gente um povo melhor, por mais paradoxal que pareça.
Acho que nunca frequentei um blog que tivesse um debate
tão profundo, em alto nível de discussão, com idéias e conceitos
trocados com tanta pertinência e respeito.
Parece que estou em um fórum, ouvindo (lendo) réplicas e tréplicas, com todos os participantes tentando buscar algum consenso.
Isso é o que se espera de um blog. Isso é o que se espera de cidadãos que, no fundo, desejam a mesma coisa: ter um país melhor.
Coloco aqui um texto que li em um blog para expressar um ponto de vista. Acho legal esse debate que está rolando aqui. Não quero polemizar, apenas alimentá-lo. Abraços.
http://classemediawayoflife.blogspot.com/2009/10/dica-032-colocar-culpa-no-lula.html
“Culpa do Lula” é um expediente médio-classista que caracteriza qualquer coisa que possa dar errado no Brasil. É um híbrido de “transferência de responsabilidades” com “senso de posição social”, dois conceitos interligados que compõem a filosofia de vida da Classe. Logo, para ingressar neste grupo especial da nossa sociedade, será necessário aprender a vincular o nome do ex-metalúrgico a qualquer evento ou constatação negativa que envolva o Brasil. Afinal, não basta ignorar o presidente. A revista, a tevê, o jornal e tudo aquilo em que você acredita urram para que você o odeie. Obedeça.
Um bom estudo de caso consiste na observação das reações e do posicionamento da Classe Média em relação à disputa para sede das Olimpíadas de 2016.Imagine voltar a alguns dias antes da escolha da cidade sede dos Jogos Olímpicos. Como bom membro da Classe Média, você primeiramente duvidaria, com todas as suas forças, da capacidade do governo brasileiro conseguir uma coisa dessas. Culpa do Lula. Um país tão bagunçado assim nunca será capaz de trazer pra cá um evento tão importante, de gente civilizada, uma coisa tão grandiosa e que nos traria tantos benefícios. Nosso presidente é despreparado e a comunidade internacional não o leva a sério. Culpa do Lula de novo.
Com o passar dos dias, a televisão (sua janela límpida e cristalina para a verdade sobre o mundo) lhe informaria que as chances são reais. E se o Rio vencer, não haverá culpa de nada para imputar no Lula. Isto seria capaz de botar em parafuso a cabeça do cidadão, tal qual um software mal programado com erro de sintaxe – um legítimo fatal error. Felizmente o cérebro humano possui mecanismos que impedem esse tipo de conflito: o médio-classista automaticamente começa a reconsiderar sua opinião sobre os Jogos Olímpicos, uma forma de desfazer esse nó nos neurônios.
O Rio está quase ganhando. A partir desse momento, o cidadão de Classe Média já conjectura se ser sede de Olimpíadas é realmente bom para o Brasil. Afinal, somos um país de terceira, violento, corrupto e pobre. Culpa do Lula. Tomara que o Rio perca. Aí, sai o anúncio: o Rio venceu. Agora, o médio-classista tem certeza de que isso é ruim. Além de ser um desrespeito com o Primeiro Mundo, um evento desse porte tem tudo para ser um fracasso em terras brasileiras. Vão desviar esse dinheiro, que deveria ser investido em educação e saúde (finja que você se importa, não interessa se você é usuário de educação e saúde privadas). E o dinheiro dos seus impostos vai pra mão dos políticos, que vão roubar quase tudo. Culpa do Lula (ignore que ele não será o Presidente em 2016).
Conclusão: para ser da Classe Média, a “Culpa do Lula” precisa ser uma entidade tão sagrada para você, que te faça torcer com ardor e sinceridade para que o Brasil perca essa ou qualquer disputa. Pois só assim você poderá pronunciar “culpa do Lula”, em tom de palavras mágicas, sentando em seu sofá quentinho e macio, cercado pelas grades do condomínio, tomando seu café e vestido com seu roupão felpudo. Esta será a sua fórmula para dormir tranquilo depois do Fantástico.
Neto, na escuridão do céu de negras nuvens surge subitamente o raio que ilumina a terra. Nem tudo está perdido. Abraço, Marcos
[...] esse assunto eu dou a palavra para o Neto, o Cris Dias e o Fabio Seixas. Cada um com seu ponto de vista, um mais otimista, outro menos, mas [...]
Olha, meu discursso não foi romântico não.
O que eu quis dizer é que a “tendência” é termos eleições um pouquinho melhores. Mas é claro que estamos longe de algo aceitável. O Brasil precisa urgentemente de uma reforma eleitoral. Não dá pra metade da Câmara ser eleita pelo sistema de sobras e proporcionalidade. Aliás, o presidente da Câmara (Michel Temer) sequer teve votos suficientes nas últimas eleições. Virou parlamentar no esquema das sobras eleitorais.
E essa é uma luta difícil. Quem está lá não vai modificar as regras do próprio jogo, impondo obstáculos a si mesmos.
O que eu quis dizer é que o país está melhorando. E não mergulhado no lixo que o texto dá a entender.
Por exemplo. O autor fala de “milhões de iletrados que definem o rumo do país”. Ora, os iletrados não chegam a 10% do país. Então como que 10% do “eleitorado” define o rumo do Brasil? Sendo que analfabeto nem é obrigado a votar e 90% deles nem se dão mesmo ao trabalho.
Não precisa explicar que esse não foi o sentido da frase, pois eu sei que não foi, sei que o autor não quis passar informação incorreta, sei que a idéia foi dizer que muitas pessoas, sem instrução e conhecimento acabam sendo responsáveis diretas pela eleição dos nossos representantes atuais. Mas citei a frase para mostrar como o autor faz um texto altamente pessimista, com a visão de que vai ser pior do que a ditadura essas olimpíadas de 2016 para o Brasil.
Não vai…
Hoje mesmo nosso IDH subiu, viramos credores do FMI. Ainda fomos o último país a entrar na crise e o primeiro a sair dela (jornais gringos pagando pau pro Lula, que disse ser a crise uma “marolinha”).
Sobre as prioridades. Concordo, temos “n” cosias pra se gastar com o dinheiro público. No entanto, olimpiadas aqui não é um gasto “de luxo” ou fútil, como a decoração que se faz num jardim de uma casa.
O retorno vai ser altíssimo. Imagina o que vai ter de gente se capacitando para trabalhar no evento? E os empregos que serão gerados depois (vi na revista “Isto é” uma base de 310 milhões de empregos novos)?. Além dos turistas gastando seus dólares aqui, principalmente portugueses e vizinhos da américa latina (comércio vai se dar bem). Mais os investimentos que receberemos de fora.
Como se não bastasse, aponto ainda os ganhos “extras” e, agora sim sendo bem romântico, uma olimpíada bem feita aqui nos dará uma visibilidade enorme no cenário internacional, pode abrir ainda mais as portas para investimentos de gringos no país. Houve uma copa do mundo (brasil vencedor) que atraiu olhares gringos, que desistiram de abrir fábricas no Méxicos e vieram pra cá. Nossa “moral” vai crescer bastante mundialmente, ainda mais no âmbito da américa latina. Além disso, pode ser uma oportunidade de despertar nos brasileiros um verdadeiro sentimento patrióta, um verdadeiro sentimento de orgulho brasileiro, de que TEMOS que nos preocupar com o futuro, com nosso voto para os respresentantes, etc. (ok, muito romântico agora).
Enfim… muita água pra rolar, muita gente pra nascer e muita gente pra morrer até lá. Basta não fecharmos os olhos. A internet está aí, é uma arma poderosa demais (consegue imaginar uma discussão dessas sem a internet?). E o melhor, graças ao governo, internet não é mais um recurso da elite. Isso é bom, outro sinal de progresso.
Pra terminar, penso mesmo que o Neto é infeliz ao pensar dessa forma. Se você quiser, você consegue criticar TUDO. Mas é bom ter um bom senso e olhar a realidade. Eu particularmente ODEIO pessoas que sempre criticam tudo, aqueles que são especialistas e sempre encontram erros imperdoáveis em tudo. Outro dia vi um blog fazer uma crítica de uns 10 parágrafos ao Google. Um bando de argumentos irônicos, inválidos e baseados nas “possibilidades”, pois com certeza o sujeito não tem conhecimento nenhum a respeito da empresa. Não que seja o caso desse texto do Neto, mas só pra ilustrar que ser do contra simplesmente pra ser diferente não está na moda, pelo menos pra mim não.
Ah, não estou julgando o Neto sobre ele ser alguém que critique tudo. Só usei pra embasar, mas acabou dando a impressão que fiz um insulto.
Meu posicionamento é que a sua opinião foi muito pessimista mesmo e não condiz com a realidade, apenas.
Outra coisa também, não supervalorizo os retornos gerados depois das olimpiadas. Mas é que não concordo com a visão de que uma olimpíada é mais um “status” do que “investimento”.
Acredito que apesar de dar muito STATUS, organizar uma olimpíada é principalmente um investimento. É Por isso que Madri, Chigago, Tokyo estavam querendo abocanhar. Não pra pelo Status, pois esses países já têm o devido reconhecimento e tamanho, mas com certeza estavam na briga de olho no retorno financeiro que ganhariam. Certamente…
Só dois comentários:
Para os que estão falando que o nosso IDH aumentou, vamos lá: aumentou de 0,80 para 0,81.
Somos o 75º em 182.
Caímos 5 posições.
E Bruno, eu não estou discordando ou concordando com nada.
Estou discutindo prioridades.
Para os que usam o sofisma de “é fácil falar sem fazer nada”, me parece que discutir é uma das melhores maneiras de mudar o status quo.
Só queria dizer mesmo que vc e mto bonito hehee
abraço
O Brasileiro não tem o costume de reclamar.
O Rio de Janeiro está abandonado, todas empresas de telecom e todos os bancos tem sede na cidade de SP, Campinas está atraindo empresas de robótica e eletrônica. São Leopodo e Recife estão se tornando pólos tecnologicos e o Rio de Janeiro está entrege as traças. O cidadão carioca não está se dando conta que os empregos que exigem quaificação estão quase em extinção. Essa juventude que aí esté não sabe o que são direitos do cidadão. O PAN nos mostrou isso, o RJ é a cidade sede, mas o estado de São Paulo está cedendo o Ibirapuera para formar atletas para disputarem em 2016 no RJ. Daí eu pergunto por que não utilizam as instalações do PAN? Passei 2 meses na europa e fiquei impressionado com a malha ferroviária e olha que lá nem teve Olimpiadas, mas aqui no RJ só irão dar um transporte publico para o povo se houver Olimpiada, senão, estariamos todos nas mãos do trasnporte ilegal de milicias.
Falta muito, mas muito mesmo para o Brasil começar a engatinhar.
Seu texto está corretíssimo.
É díficil entender o mundo dos politícos. Eles têm uma facilidade enorme de enxergar apenas o lado bom das coisas.
Ficarei apenas em três exemplos:
1) Montreal – A apenas 03 anos a cidade quitou a última parcela de uma dívida de 30 anos herdada das olimpiadas;
2) Atenas – Os resultados até agora apresentados indicam que irá acontecer o mesmo;
3) Barcelona – Pra não falar só em desastres, aqui a proposta de fato funcionou fazendo resurgir a cidade.
Esse quadro mostra o responsabilidade que recai sobre as pessoas que defenderam e conquistaram para o Brasil o direito de sediar as olimpíadas,
Pra gente só resta torcer para o Brasil ficar no terceiro caso.