Esta semana, duas notícias tomaram conta das páginas policiais. A primeira foi a condenação, por 4 anos em prisão semi-aberta, da pichadora da Bienal, Caroline Pivetta. A segunda notícia, foi a morte de um sequestrador que ameaçava a refém com uma granada, no Rio, com um tiro disparado por um atirador de elite da Polícia Militar carioca. Os dois casos são férteis para polêmicas entre liberais e reacionários.

Os dois casos estão espalhados pelos blogs. E por isso, passei algumas horas avaliando a repercussão dessas duas notícias, através dos comentários que geraram online.

É certo que trata-se de uma avaliação específica e não podemos afirmar que os comentários de blogs e do YouTube reflitam o que pensa o povo brasileiro como um todo. Mas considerando a penetração da internet atual, acho que podemos ao menos intuir daí a tendência do impacto que os dois casos tiveram junto à opinião pública nacional.

No caso da menina, é impressionante como a ampla maioria apoia a idéia de que – por pichar a parede da Bienal – a pena de quatro anos seja razoável. Mais de 80% dos comentários que encontrei foram favoráveis ao veredito. Já para o sequestrador morto com um tiro, a situação é ainda mais gritante. Dos 134 comentários no vídeo que mostra a cena, no YouTube, apenas uma meia dúzia clamava pelos direitos humanos do criminoso. A imensa maioria é partidária da ideia de que “bandido bom é bandido morto”. E o fazem com raiva, como que se o tiro tivesse vingado à todos, finalmente. Foram constantes as referências a jogos de computador como Counter Strike. Foram frequentes os elogios à polícia do Rio pela ação de “neutralização” como a caracterizou o comandante responsável.

A julgar por essa amostragem, no caso de um plebicito, a pena de morte teria aprovação garantida.

Esses dois casos são emblemáticos porque representam a ampla gama da violência que nos cerca, através de dois extremos opostos. De um lado uma jovem numa atitude quase ingênua de danificar patrimônio público e de outro a violência extrema, um criminoso sendo assassinado a queima roupa pela polícia, enquanto ameaçava uma cidadã com uma grana de mão.

O júri popular online [que de novo, lembro que não tem procuração para falar em nome de toda a nação] deu seu veredito: punição extrema para ambos, num claro recado que estamos todos fartos da impunidade, seja nas pequenas contravenções, seja nos crimes hediondos.

Esse texto não é para defender a pena de morte, nem para pedir que aumentem ainda mais a pena da pichadora.

Esse texto não é para discutir o que deve ser feito.

Esse texto é apenas para chamar a atenção de que a demora em resolver o problema da violência e da impunidade está criando uma distorção na opinião pública. Um desvio do que deveria ser a Justiça. Da mesma forma que, no passado, enfrentamos a hiperinflação, ou a ditadura, a violência e a impunidade estão revoltando de tal maneira a população, que a punição que se exige para os poucos que são condenados, é exemplar.

Como não se pune ninguém, de um senador a um traficante, os que são condenados devem sofrer a pena mais severa possível. Seja para servirem de exemplo, seja apenas para vingar-nos.

Quem dera esse recado dos comentários fosse ouvido por nossas autoridades.

Quem dera polícia, políticos e juristas tomassem atitudes rápidas e eficientes para que nossa justiça volte a ser para todos, serena e equilibrada.